A PolĂcia Militar e a Secretaria da Segurança PĂșblica (SSP) de São Paulo silenciaram sobre a realização de um congresso polĂtico envolvendo policiais militares, em 22 de junho, na capital paulista. O evento é organizado por associações de PMs e tem como objetivo influenciar as eleições municipais deste ano.
O evento terĂĄ 300 vagas para policiais que são considerados lideranças em seus municĂpios e estejam interessados em se tornar pré-candidatos a vereadores e prefeitos.
Segundo a organização, o encontro teria a anuĂȘncia do comando da PolĂcia Militar. Tanto o governador TarcĂsio de Freitas (Republicanos) quanto o secretĂĄrio da Segurança PĂșblica, Guilherme Derrite, serão convidados.
Tanto a PM quanto a SSP foram questionadas sobre a realização do congresso polĂtico, mas, desde então, silenciaram. Derrite é um ex-PM que deixou a corporação quando era tenente (passou à reserva como capitão) para fazer carreira polĂtica — é deputado federal licenciado.
ResponsĂĄvel pelo controle da atividade policial, o Ministério PĂșblico de São Paulo (MPSP) afirmou que "desconhece de que maneira o evento do próximo 22 de junho estĂĄ sendo organizado pela Associação dos Subtenentes e Sargentos da PolĂcia Militar do Estado de São Paulo e, portanto, não pode se manifestar".
De forma geral, militares com menos de dez anos de serviço devem se afastar da atividade para poder se candidatar. JĂĄ aqueles com mais de dez anos precisam passar à reserva, caso sejam eleitos.
Professor da Fundação GetĂșlio Vargas (FGV) e especialista em segurança pĂșblica, Rafael Alcadipani afirma que é "completamente errado" uma organização policial estar preocupada em influenciar eleição. "É um completo desvio de função. Isso faz com que a organização se transforme muito mais em um partido polĂtico do que uma instituição de segurança pĂșblica", diz.
Alcadipani afirma que as PolĂcias Militares no Brasil e, em particular, em São Paulo, tĂȘm muito poder. "Não é adequado que estejam preocupadas em fazer polĂtica, embora a gente saiba que, infelizmente, nessa gestão da Secretaria da Segurança PĂșblica, nesse governo, ao invés ir contra a politização, parece que se estĂĄ reforçando isso."
O professor da FGV diz que é algo preocupante, porque faz com que se tenha polĂcias de governo, não de estado, e cita exemplos negativos. "Isso aconteceu no Peru, na BolĂvia, no Equador, em tantos lugares onde esse lado polĂtico acaba aflorando demais. O Ministério PĂșblico deveria exercer um controle mais forte sobre a instituição policial-militar para evitar essa politização", afirma.
Alcadipani também afirma que o Congresso Nacional precisa desenvolver uma legislação para blindar as instituições policiais da polĂtica. "Tem um velho adĂĄgio que diz que quando a polĂtica entra no quartel, a disciplina sai pelo outro lado. É preocupante isso que estĂĄ acontecendo", diz.
Segundo Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, essa participação não deveria ser ruim por si só, porque todas as categorias devem ter o direito de tomar parte da vida polĂtica e eleitoral. Entretanto, aponta uma série de problemas.
Fonte: METROPOLES