13 comportamentos causados pelo uso abusivo do celular

Nomofobia, o vício ao celular, o que saber e como evitar

Por Rone Carvalho em 05/07/2024 às 11:08:15

Nomofobia é uma doença cada vez mais comum, mas que pouca gente conhece. Quanto você não consegue deixar o celular ou o computador, cuidado, você pode estar sofrendo de dependência do seu dispositivo eletrônico. Estresse, depressão, tristeza, falta de sono, dificuldade de se relacionar. Tudo isso pode estar relacionado com o vício ao celular.

Há 20 anos, brincar nas ruas era comum entre muitas crianças. Os mais novos se divertiam brincando de esconde-esconde, pega-pega ou futebol, improvisando os próprios chinelos como as traves do gol.

Mas tudo mudou quando os tradicionais presentes de aniversário, como bola, bicicleta ou carrinhos de rolimã, foram substituídos pelos celulares. Atualmente, o que reina entre as crianças são os smartphones, capazes de hipnotizá-las com jogos online e vídeos no YouTube.

Para se ter uma ideia da febre, o Brasil ocupa a segunda posição mundial em tempo de tela no mundo. O levantamento feito pela plataforma Electronics Hub, um site de informações eletrônicas, aponta que o brasileiro passa, em média, 56% do dia em frente às telas de smartphones e computadores. Em primeiro lugar do ranking estão os sul-africanos, que passam 58,2% do dia usando as telas.


Tempo diário de uso da internet no mundo:

África do Sul - 9h24min

Brasil - 9h13min

Filipinas - 8h52min

Colômbia - 8h43min

Argentina - 8h41min

Chile - 8h31min

Rússia - 8h21min

Malásia - 8h17min

Emirados Árabes Unidos - 8h11min

Tailândia - 7h58min

Em busca de entender os impactos do demasiado tempo conectado, um grupo de pesquisadores da USP, liderado pela médica psiquiatra Carmita Abdo, conseguiu mapear 13 cibercomportamentos relacionados ao uso abusivo da tecnologia.

Das nove horas por dia que os brasileiros gastam em frente às telas, quatro são destinadas a navegar em plataformas de mídias sociais como Instagram e Facebook. Assim, os transtornos mais comuns entre os brasileiros é o Fomo (Fear of Missing Out), que pode ser traduzido como o medo de não conseguir acompanhar as atualizações, e a depressão do Facebook, causada por interações sociais (ou a falta delas) por meio das redes, informa Carmita Abdo, professora da Faculdade de Medicina da USP.


Nomofobia: o vício em celular pode prejudicar sua saúde - Blog Vittude

Conheça os 13 cibercomportamentos causados pelo uso abusivo da tecnologia:


1. Gaming disorder: condição reconhecida como patológica pela OMS desde 2022. Entre os principais sintomas desse transtorno estão a priorização dos jogos eletrônicos sobre outras atividades e perda do controle sobre o tempo de uso dos games, seja pelo celular, computador ou videogame. Estima-se que 3% dos gamers se enquadrem nessa condição.

2. Fomo: condição caracterizada pelo medo de não conseguir acompanhar as atualizações da vida virtual. Esse comportamento é muito comum em pessoas viciadas em redes sociais e gera sensação de medo e angústia ao ficar por muito tempo sem atualizar o feed das redes sociais.

3. Jomo (Joy of Missing Out): é o prazer e contentamento em desconectar-se das redes sociais e atividades online, buscando momentos de paz e tranquilidade.

4. Nomofobia (No Mobile Fobia): refere-se ao medo extremo ou ansiedade de ficar sem o celular ou estar desconectado da tecnologia. Apesar deste medo irracional ainda não ser reconhecido como uma condição médica, é um dos cibercomportamentos mais conhecido entre os usuários da rede. Geralmente, os sintomas ao ficar longe da tecnologia são similares ao da ansiedade, como agitação, suor excessivo e dificuldade para respirar.

5. Selfitis: refere-se à obsessão de tirar selfies repetidamente e compartilhá-las nas redes sociais, sendo considerado um comportamento compulsivo. Geralmente, quem possui esse cibercomportamentos busca a autopromoção através das redes sociais e pode ter problemas de autoestima.

6. Phubbing: é a prática de ignorar a companhia de outras pessoas em favor do uso do celular, prejudicando a interação social presencial. O termo reúne duas palavras do inglês: phone (telefone) e snubbing (esnobar).

7. Vício em tecnologia, ou dependência digital: caracteriza-se pelo uso excessivo e compulsivo de dispositivos eletrônicos e tecnologia, afetando negativamente a vida diária e a saúde mental. Em regra, esse cibercomportamento é muito comum em crianças e adolescentes.

8. Síndrome do texto fantasma: refere-se à angústia de não receber resposta após enviar uma mensagem de texto ou ser ignorado, gerando ansiedade e insegurança nas relações virtuais.

9. Cyberchondria: é a tendência de pesquisar sintomas de doenças na internet, levando a uma interpretação exagerada e ansiosa dos resultados. Também conhecida como hipocondria digital, esse cibercomportamento é comum em adultos e idosos.

10. Fadiga de decisão digital: descreve o cansaço e a sobrecarga mental causada por ter que tomar constantes decisões relacionadas ao uso da tecnologia e às interações online. É um cibercomportamento recorrente em pessoas que trabalham o dia todo com tecnologia.

11. Náusea digital: entre os sintomas estão desorientação, vertigem e enjoo. Todos são causados pelo excesso de interação com ambientes digitais.

12. Toque fantasma: sensação de ouvir ou sentir toques e vibrações de celular, mesmo quando o aparelho não está presente ou está no silencioso. Se já teve esse sintoma, é um indicativo de que seu uso de tecnologia está passando dos limites.

13. Depressão do Facebook: apesar do nome, esse cibercomportamento também pode ser comum em pessoas que utilizam com frequência outras redes sociais, como Instagram, TikTok e X (antigo Twitter). Ele é caracterizado por um profundo desânimo, similar a uma depressão, causada por interações sociais (ou a falta) através das redes.


Como o uso de telas pode influenciar nossa saúde mental?

Uso excessivo de telas tende a piorar a saúde mental

Um estudo liderado pela pesquisadora da UFMG, por meio de uma revisão de 142 artigos, com mais de dois milhões de pessoas de cinco continentes acompanhadas, constatou aumento de ansiedade e depressão em todas as fases da vida, à medida que aumenta o tempo nas telas.


Crianças: aumento de sintomas de TDAH (transtorno déficit de atenção e hiperatividade), TOD (transtorno opositor desafiador), transtorno de conduta e problemas de socialização.

Adolescentes: aumento de comportamentos de autolesão, pensamentos suicidas e baixa autoestima.

Adultos: aumento dos níveis de estresse, pela falta de habilidade em gerenciar o tempo.

Idosos: aumento de diagnóstico de nomofobia, que é o medo de ficar sem o celular.


Qual o papel do cérebro e do humor em nossa resposta imune - BBC News Brasil

Como o cérebro reage ao contato com celular

Quando uma mensagem chega no celular, a dopamina é liberada no cérebro.

Ao alcançar a parte central do cérebro, a dopamina causa uma sensação de prazer na pessoa.

Entretanto, a dopamina também vai para parte da frente do cérebro, causando impulsividade.

O processo é o mesmo que ocorre em outros vícios, como do cigarro.


Saúde mental: cresce o número de jovens que aderem a celulares 'tijolões' para se desconectar


O que fazer para desconectar?

Renata Maria Silva Santos, pesquisadora da UFMG, ressalta que para crianças, o mais importante no processo de desconexão é enriquecer o ambiente fora das telas, seja resgatando brincadeiras antigas ou até passeios em família.

"Os pais precisam chamar para si essa responsabilidade de diminuir o tempo de tela dos filhos, mas para isso precisam estar mais dispostos a interagir com seus filhos, já que criança sem tela é uma criança que corre, bagunça e convida o tempo todo a interagir. Muitas vezes o tempo de tela dos filhos é um reflexo da fuga dos pais com relação aos seus deveres", diz Bruno Rodrigues dos Santos.

Já para os adultos, o importante é realizar uma reflexão sobre o gasto do tempo com telas, sobretudo joguinhos e pequenos vídeos, rolagem de telas.

"É muito importante, em todas as idades, o cuidado com o algoritmo, pois ele trabalha para melhorar a experiência do indivíduo com a tecnologia, mas reforça convicções pessoais. Precisamos nos proteger na internet, e não da internet", diz a pesquisadora da UFMG

Fonte: UOL

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