Relatório elaborado pela ouvidoria das PolĂcias de São Paulo mostra o aumento estatĂstico de 41% no nĂșmero de crianças e adolescentes mortos por intervenção policial entre 2022 e 2023, ano que representa o inĂcio do mandato do atual governador do estado, TarcĂsio Freitas (Republicanos).
Os dados foram divulgados pelo órgão nesta segunda-feira (6/5), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Os nĂșmeros voltam a registrar um aumento após anos com consecutivas quedas, também de acordo com as informações disponibilizadas pela Secretaria da Segurança PĂșblica (SSP).
Os dados divulgados pela Ouvidoria das PolĂcias Civil, Militar e Técnico-CientĂfica, mostram que o nĂșmero de adolescentes mortos, por policiais civis e militares, tanto em serviço como de folga, subiu de 17 para 24 (41%).
"O aumento da MDIP (Mortes Decorrentes de Intervenção Policial) entre crianças e adolescentes chama ainda mais atenção para a atual gestão da Ouvidoria visto que crianças e adolescentes não cometem crime e sim ato infracional. A infância e adolescĂȘncia e a vida desses indivĂduos deve ser protegida, com um bom acesso à educação, lazer, esportes e cultura", diz o documento.
Assim como o aumento entre os adolescentes, o nĂșmero de mortes decorrentes de intervenção policial também subiu de maneira geral, sem recorte especĂfico de idade, interrompendo uma sequĂȘncia de trĂȘs anos de quedas:
NĂșmero de MDIP no geral, segundo a Ouvidoria:
A SSP apresenta nĂșmeros maiores em relação ao que foi apresentado pelo relatório. Isso porque os dados divulgados pela Ouvidoria levam em conta apenas aqueles que foram denunciados ao órgão.
De acordo com a pasta, 38 adolescentes foram mortos em decorrĂȘncia da intervenção policial em 2023. O nĂșmero é 58% maior do que os 24 que perderam a vida em 2022.
Ao tirar o recorte etĂĄrio, o aumento percentual diminui mas o nĂșmero absoluto ainda sobe, visto que em 2023 a intervenção policial foi responsĂĄvel por 504 mortes, quase 20% a mais do que os 421 óbitos de 2022.
Em nota, a SecretĂĄria afirmou que "todas as mortes em decorrĂȘncia de intervenção policial são consequĂȘncia direta da reação dos criminosos diante da ação da polĂcia no combate à criminalidade".
A pasta também revela que o nĂșmero de infratores presos e apreendidos foi de 187.383 em todo o estado, 6,8% a mais do que no ano passado. Ao apresentar esse dado, a SSP diz ainda que as mortes em decorrĂȘncia policial representam cerca de 0,2% do total de delitos ocorrido em São Paulo.
O órgão finaliza o documento esclarecendo que trabalha para reduzir a letalidade das polĂcias investindo no treinamento das forças de segurança e em polĂticas pĂșblicas. Além disso, conta com comissões direcionadas para anĂĄlise das ocorrĂȘncias que visam "ajustar procedimentos, revisar treinamentos e aprimorar as estruturas investigativas".
Todas as crianças e adolescentes mortos em 2023 são meninos. O dado segue um padrão nos Ășltimos quatros anos, visto que nenhuma vĂtima do gĂȘnero feminino foi constatada desde 2020.
Em relação a cor de pele das vĂtimas, novamente se enxerga um padrão. Assim como nos anos anteriores, o grupo mais atingido continua sendo o de pessoas pardas. Em 2023, dos 24 mortos, 12 eram pardos, o que representa 50% das vĂtimas.
Os dados de faixa etĂĄria também mostram certa discrepância. Adolescentes de 16 e 17 anos concentram 21 mortos em 2023.
A maior ocorrĂȘncia de mortes entre crianças e adolescentes no Ășltimo ano aconteceram na cidade de São Paulo ou na região metropolitana:
Porém, cidades do interior e do litoral paulista como Bauru, Mairiporã, GuarujĂĄ, Santos, Cotia, Ubatuba, Rio Claro e Santa Rita do Passa Quatro também aparecem no mapa.
Fonte: METROPOLES